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VERÃO
No Sudeste, o verão é caracterizado com a estação chuvosa, ou seja, onde ocorrem os maiores acumulados
pluviométricos. Muitas vezes esse volume elevado está relacionado às temperaturas elevadas, ocasionando as famosas "chuvas de verão". As
normais climatológicas do INMET, no período de 1961 a 1990, indicam uma precipitação média mensal para o Estado do Rio de Janeiro em torno
de 62 mm Região dos Lagos e 400 mm na Região Serrana. Já as temperaturas máximas oscilam entre 30°C na Costa Verde e 33°C no Noroeste do
Estado e as mínimas ficam entre 17°C na Região Serrana e 23°C na Região Metropolitana. Para o verão 2009/2010 na região Sudeste, os modelos
apontam uma tendência de chuvas entre normal a acima da normal climatológica, e temperaturas acima da normal climatológica.
Para este ano teremos um o cenário climático diferente do ano anterior. A primavera e o verão 2009/2010 desenvolvem-se sob a
influência do fenômeno climático El Niño. O El Niño é um fenômeno de escala global, o que significa que tem impactos em diversos pontos do
planeta, inclusive no Brasil. O El Niño é identificado pelo aquecimento anômalo das águas no oceano Pacífico equatorial.

Figura 1 - Previsão para Anomalia da Temperatura da Superfície do Mar no Pacífico Equatorial
A linha em preto é a anomalia de temperatura que foi registrada desde o trimestre novembro, dezembro e janeiro de
2008. Os valores negativos indicam que no último trimestre de 2008 a atmosfera passava por uma La Niña que enfraqueceu no começo de 2009.
Nos meses de março, abril e maio de 2009 a atmosfera encontrava-se numa situação de neutralidade climática, ou seja, não havia nem El Niño
e nem La Niña. No entanto, logo em seguida o oceano entrou numa fase de aquecimento que deu origem ao fenômeno El Niño. A linha em azul no
gráfico é a previsão da temperatura da superfície do mar para os próximos meses. A projeção indica que o oceano Pacífico Equatorial continua
aquecendo-se anomalamente nos próximos meses e esse aquecimento atinge seu máximo (fase de maturidade do El Niño) no primeiro trimestre de
2010 que coincide com um período do verão do Hemisfério Sul.
As projeções sugerem um El Niño de intensidade moderada a forte e pode ser comparado ao evento de 2002/2003. No Rio
de Janeiro, a instalação do fenômeno El Niño torna a qualidade da chuva diferente em relação ao verão passado, quando tivemos a inúmeros
episódios de ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul), onde a chuva ocorre de forma generalizada e de longa de duração. O El Niño deixa
a atmosfera mais quente e mais favorável à formação de chuvas convectivas, fortes e localizadas, que em geral acontecem durante as tardes,
mas algumas vezes podem vir a ser registradas durante as noites ou madrugadas. Além da sua característica localizada, as nuvens de chuva têm
um rápido desenvolvimento (formam-se em questão de minutos) e podem produzir grandes volumes de chuva em pouco tempo, em função da rápida
variação de temperatura podem gerar rajadas de vento e granizo. A conseqüência da sua natureza intensa e localizada, é que chuvas desse tipo
podem provocar transtornos como: inundações, alagamentos, transbordamento de rios e córregos, destelhamento de imóveis, queda de árvores e
postes. Se por um lado, o El Niño torna a atmosfera mais "tempestuosa" (chuvas e ventos fortes em pontos localizados), por outro lado o El
Niño diminui a probabilidade de eventos de ZCAS e dessa forma diminui o risco de ocorrências relacionadas a escorregamentos e/ou deslizamentos
de terra de grandes proporções.
Fontes: CPTEC/INPE; NCEP
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